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Produtores de café do Paraná realizam primeira exportação direta para Espanha


A Cooperativa de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp) realizou, pela primeira vez, uma exportação direta (sem intermediação de traders) de cafés especiais para o exterior. As 96 sacas de café natural e cereja descascado, de 30 quilos cada, saíram do Brasil pelo porto de Santos no dia 24 de dezembro e chegaram ao destino, a cidade de Barcelona, na Espanha, em 15 de janeiro.


O envio contou com a participação de sete pequenos produtores cooperados: Evilásio Shigueaki Mori, Paulo José Frasquetti, Ricardo Batista dos Santos, Claudinei de Carvalho Nunes, Pedro Luiz Costa, Antônio Carlos Delmonico e Armando César Casimiro. O planejamento e a documentação para a exportação foram feitos pela representante comercial da Cocenpp, Angelina Harumi Shimysu Jussiani.


Angelina conta que recebeu capacitação da Apex-Brasil, específica para exportação para micro e pequenas empresas, de forma on-line, por conta da pandemia. A aproximação com o exportador se deu a partir de um produtor de café do noroeste do Paraná, que ela contatou durante a Semana Internacional do Café (SIC), em 2019.


“Conheci produtores de Cambira, Maringá e Apucarana. Um deles me ligou, pouco tempo depois, dizendo que um amigo da Espanha gostaria de conhecer a Cocenpp”, lembra. Este amigo espanhol foi até a sede da cooperativa, em Congonhinhas, e também conheceu a unidade de beneficiamento no munícipio de Lavrinha, ambos no norte pioneiro. Foi então que decidiu levar para o continente europeu sacas de cafés especiais do Norte Pioneiro e do noroeste do Paraná.


Angelina brinca que a primeira exportação da cooperativa aconteceu de “supetão”. Com apoio da Apex-Brasil e dos sete produtores, conseguiu reunir a documentação e planejar a logística de envio em poucas semanas. Segundo ela, a Indicação Geográfica (IG), na modalidade de procedência do café do Norte Pioneiro do Paraná, terá o seu selo estampado nas embalagens e ajudará no marketing e divulgação do produto em território espanhol.


“Na Europa, as indicações de procedência são valorizadas”, afirma. A representante comercial destaca que a exportação não teria acontecido sem o apoio do Sebrae/PR, que ofereceu todo o suporte técnico, desde a conquista da IG: “fiz o treinamento, me esforcei e fizemos acontecer, mas só deu certo pelo cooperativismo e o trabalho dos produtores, da COCENPP, e apoio da Apex e Sebrae/PR”.


Para o cafeicultor Ricardo Batista dos Santos, um dos exportadores e presidente da Cocenpp, o envio direto dos cafés para a Espanha é um sonho realizado. Ele assinala que já exporta café há muitos anos, desde 2013, mas sempre com a intermediação de traders. “Agora, podemos dizer que nos tornamos exportadores. O lucro vai ficar dentro da cooperativa e para nós, produtores, a remuneração é muito boa. Recebemos o dobro do preço que teríamos aqui no mercado nacional”, comemora.


O consultor do Sebrae/PR, Odemir Capello, diz que a exportação direta deve ampliar muito o canal de relacionamento da cooperativa, que poderá conquistar mais clientes e ter mais lucros e melhores resultados. “É algo que, até pouco tempo atrás, era considerado impossível, mas que se tornou viável graças ao cooperativismo e o trabalho para produzir cafés diferenciados e com registro de procedência”, afirma.


Os cafés enviados à Espanha serão comercializados para torrefações e também vendidos por uma plataforma de e-commerce direto para o consumidor final. Depois do primeiro envio, a cooperativa recebeu propostas de exportações para outros países, como Itália e Rússia.


As informações são do Agro Em Dia (Com informações do Sebrae/PR).

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