Buscar
  • Forcafé

No cafezal, roçada do mato não é igual capina


A roçada do mato em lavouras de café é uma prática muito usada, porém é preciso entender seu efeito em relação ao resultado de uma capina, ou seja, ao controle ou morte efetiva do mato.

A roçada do mato em cafezais encontra facilidades tanto em áreas mecanizáveis como em áreas de manejo manual. Nas lavouras implantadas em renque mecanizado, onde o trator pode transitar facilmente nas ruas, ele pode operar com uma roçadeira acoplada aos três pontos e movida pela TDF, tendo um bom rendimento na roçada do mato. Nas áreas declivosas, onde antigamente se usava foices na roçada do mato, hoje em dia se emprega roçadeira motorizada de operação manual, também com boa rapidez e pouco esforço. Sob o ponto de vista ambiental, a roçada se mostra uma prática muito adequada, pois visa manter o mato como cobertura e proteção do solo.

Sob o aspecto agronômico, onde o objetivo do controle do mato é reduzir sua concorrência com o cafeeiro e resultar em maior produtividade das lavouras, a roçada não é tão efetiva como pode parecer.

Algumas pesquisas em lavouras de café, onde se compara o efeito de roçada do mato com o controle efetivo do mesmo, seja por capinas normais, seja por capinas químicas, mostra que a simples roçada não elimina significativamente a concorrência das ervas. Pode-se ver esse efeito com os exemplos de resultados de três pesquisas conforme dados apresentados nas tabelas 1, 2 e 3. Nesses dados, onde foi avaliada a produtividade dos cafeeiros nos experimentos, a simples roçada do mato ou se assemelha aos resultados obtidos com a falta total de controle, ou melhora apenas ligeiramente os ganhos, porém sempre mostra resultados produtivos muito inferiores ao controle efetivo do mato.


Assim, ao se adotar roçadas, elas devem ser feitas de forma auxiliar, necessitando ser regularmente complementadas pelo controle efetivo do mato. Isso porque a roçada tem um efeito temporário e, na rebrota do mato, as ervas é que aproveitam eventuais liberações de nutrientes (especialmente o K) dos resíduos da roçada, não os cafeeiros.

É importante ter sempre em mente que a convivência com plantas daninhas não deve limitar o desenvolvimento e a produtividade do cafezal.


POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

FOLHA PROCAFÉ

1 visualização0 comentário