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Estudo aponta que hiperparasita pode ajudar no controle da ferrugem do café


A ferrugem do café é um fungo parasita e um grande problema para os cafeicultores em todo o mundo. Sobre o assunto, um estudo da Etiópia mostra que outro fungo parece ter capacidade de suprimir os surtos de ferrugem no cafezal.

“A ferrugem do café é uma doença fúngica que é um problema para os cafeicultores em todo o mundo, especialmente no café arábica, que responde por três quartos da produção mundial de café. É necessário aprender mais sobre soluções naturais em vez de apenas aplicar pesticidas", explica Kristoffer Hylander, professor do Departamento de Ecologia, Meio Ambiente e Ciências Vegetais (DEEP) da Universidade de Estocolmo.

A ferrugem da folha do café é causada por um fungo parasita que ataca as folhas do arbusto do café. Em algumas áreas, sabia-se que havia um inimigo natural em potencial - um fungo hiper parasítico que cresce em cima da ferrugem. No entanto, muito pouco se sabe sobre sua biologia e em que medida ele pode suprimir a ferrugem. Este é o primeiro estudo sobre a interação entre a ferrugem e seu hiperparasita na Etiópia, berço do café arábica. A planta do café, a ferrugem e seu hiperparasita podem ter co-evoluído na Etiópia há muito tempo.

A ferrugem do café geralmente aumenta em abundância da estação chuvosa até a seca. No entanto, parece que esse aumento é reduzido em locais onde o hiperparasita é comum. "Esta é uma indicação de que o hiperparasita pode ter potencial para reduzir surtos de ferrugem em áreas onde a ferrugem e o hiperparasita coexistem", disse Ayco Tack, professor associado do Departamento de Ecologia, Meio Ambiente e Ciências Vegetais (DEEP) na Universidade de Estocolmo.

Parece que a ferrugem e o hiperparasita se desenvolvem em ambientes levemente diferentes, com a ferrugem se adaptando bem em locais menos úmidos e o hiperparasita favorecendo locais um pouco mais úmidos, como fazendas de café com mais árvores de sombra.

“Esta pode ser uma situação vantajosa para ambas as partes. Aumentando a cobertura de árvores nas plantações de café com espécies nativas de sombra que mantêm suas folhas durante a estação seca, talvez pudéssemos beneficiar tanto a biodiversidade quanto o hiperparasita”, disse Kristoffer.

Os autores não investigaram se a presença do hiperparasita poderia levar a melhores rendimentos do café, por meio de seu efeito sobre a ferrugem. O hiperparasita pode reduzir a queda de folhas associada à infecção severa da ferrugem, reduzindo, assim, o efeito negativo indireto esperado da ferrugem na produtividade do café.

"Este seria um dos próximos passos importantes nesta pesquisa, uma vez que a do café é mais importante para os pequenos cafeicultores. Curiosamente, a Etiópia não parece ter um problema tão grande com a ferrugem do café quanto outros países produtores - e seria interessante saber se o hiperparasita pode ser uma explicação para essa diferença. Também é importante observar que o efeito da ferrugem do café nesta paisagem pode mudar com a atual mudança climática global", disse Beyene Zewdie, que recentemente defendeu sua tese sobre a ecologia das doenças do café na Etiópia no Departamento de Ecologia, Meio Ambiente e Ciências Vegetais (DEEP) da Universidade de Estocolmo.

Estudos experimentais mais detalhados são necessários para explorar as relações entre a ferrugem e o hiperparasita. Isso poderia permitir que os cafeicultores utilizassem o hiperparasita como controle biológico da ferrugem do café em plantações com manejo mais intensivo, onde as epidemias de ferrugem são altamente problemáticas.

As informações são do EurekAlert / Tradução Juliana Santin

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