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Entrevista com presidente da Coccamig: cooperativas estão preparadas para volume alto nos armazéns


A safra brasileira de café 2020/2021, de ciclo alto, tem se mostrado muito positiva em relação à quantidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa é de pouco mais de 59 milhões de sacas de 60 kg. Com o trabalho ágil nas lavouras, tem se falado a respeito da lotação das cooperativas e do armazenamento inapropriado dos grãos.


Na última sexta-feira (18), o CaféPoint conversou com exclusividade com Marco Valério Araújo Brito, presidente da Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais (Coccamig) e da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), sobre a capacidade dos armazéns mineiros em relação ao recebimento dos cafés da safra 2020/2021.

Ele afirmou que a safra atual é muito positiva, podendo até ser igualada a safra recorde de 2018, porém, para discutir e analisar o cenário das cooperativas, é necessário levar em consideração algumas peculiaridades importantes da safra recente.


Clima favorável para a época de colheita


Devido ao extenso período seco e sem chuvas, a colheita de café conseguiu obter um ritmo acelerado quando comparada com os trabalhos dos anos anteriores. “Tivemos um período muito longo sem chuvas, o que propicia a agilidade no recebimento”, destaca.


Segundo Marco, o período de colheita foi achatado este ano, tendo reflexos positivos e negativos. “Normalmente a gente demora um pouco mais para colher por conta das interrupções, mas, este ano, os trabalhos ocorreram em um tempo menor, o que é muito bom em termos de qualidade e volume, porém acaba entrando muito café ao mesmo tempo”, explica.


Reflexos da pandemia


Outro fator que contribuiu para o encurtamento da colheita foi a pandemia de Covid-19 (coronavírus). O isolamento social e o pico de contaminação no Brasil casaram com o período dos trabalhos nas lavouras. Isso fez com que muitos produtores agilizassem o processo. No início da colheita a preocupação com os trabalhadores se transformou em solução com cartilhas, orientações de segurança sanitária e outros cuidados. Veja mais aqui!


“Com a pandemia, houve a antecipação. O produtor ficou com medo de não ter gente, então compraram e alugaram máquinas. Hoje estamos com mais de 90% da colheita resolvida em uma safra muito grande que no passado iria até outubro/novembro”, comenta Marco.


Ele também ressalta que a mecanização no campo e o melhoramento das estruturas das fazendas culminam em uma colheita mais ágil e eficiente. “Uma safra grande, com qualidade muito boa, em um período seco que ajudou a trabalhar com eficiência das máquinas, fez com que a chegada de cafés nas cooperativas e armazéns se desse em um volume muito maior. Mas as cooperativas se prepararam para isso”, explica.


Devido ao grande volume colhido, muitos produtores buscam por segurança na hora de armazenar os grãos e, por isso, apostam em grandes cooperativas, o que ajuda a aumentar razoavelmente o número de cafés estocados nos armazéns.


Mudança de modelo de armazenagem


Para Marco, uma questão muito importante e que não é muito comentada é a mudança da sacaria para a bag. “Normalmente, 90% das cooperativas hoje só recebem em bag e isso é uma questão muito relevante”, afirma.


A bag, por conta do seu tamanho e questões de segurança de trabalho, não pode ser alocada uma em cima da outra na mesma altura que eram colocadas as sacarias. Com isso, perde-se espaço de armazenamento. “Quando você migra do modelo de sacaria para a bag, você perde em torno de 40 a 45% da capacidade de armazenagem, que é relevante. Olha o tanto de coisa que aconteceu para hoje estarmos com os armazéns cheios”, conta. O aumento da armazenagem realizado pelas cooperativas foi perdido devido à mudança da sacaria.


Preços bons e vendas antecipadas


“Com o aumento do dólar e da Bolsa em função de vários motivos, o preço do café se manteve bom em plena safra, o que também é uma situação inusitada”, avalia o presidente da Coccamig. De acordo com ele, o cooperado, ao mesmo tempo em que entregou muito café, também vendeu muito café. “As empresas, os importadores, com o problema da pandemia e a questão da taxa de juros, anteciparam os recebimentos. Então muitos recebimentos que estavam parcelados durante os meses até dezembro, foram antecipados”, conta.


As novas formas de vender os grãos, como barter, por exemplo, também contribuem para o cenário: “boa parte dos cafés que estão nas cooperativas já estão vendidos, já é compromisso assumido, ou seja, as cooperativas estão segurando café para entregar para as empresas, mas não é venda nova que vai acontecer, é só uma logística de entrega”.


Problema estrutural de logística


Marco ressalta que apesar da expansão das cooperativas e da modernização no campo, o Brasil ainda enfrenta um problema crônico estrutural de logística. “Temos um recebimento muito bom, ou seja, uma expedição muito grande de um volume muito grande, mas mantivemos a mesma estrutura de caminhões, de logística como um todo”, detalha.


“É uma conjunção de fatores, uma tempestade perfeita no sentido de uma safra boa, tempo bom, estrutura boa, volume de entrada bom, preço bom, permanência do preço bom, volume muito grande de venda dos produtores, com a participação maior das cooperativas, com uma antecipação da venda e uma deficiência crônica da estrutura logística brasileira, é natural que esteja havendo um gargalo do escoamento”, explica Marco.


Mas, apesar do problema, ele garante que a armazenagem dos grãos segue funcionando de maneira correta: “Não existe, pelo menos no nosso setor, nas cooperativas da Coccamig, ninguém colocando café em silo no tempo. As cooperativas estão bem preparadas, aumentaram a armazenagem, investiram muito. A Cocatrel, especificamente, dobrou a quantidade de armazenamento”.


Em relação à logística de exportação, pode pontualmente haver problemas. “Claro que com todo o problema da pandemia, é inegável que estamos tendo alguns problemas pontuais. Mas não podemos pegar um problema menor e colocar como um problema de toda a cadeia. É claro que isso tem causado um pouco de dificuldade. É um problema crônico do Brasil”, relata.


“A cafeicultura brasileira é a mais profissional”


Apesar desses desafios pontuais que a cadeia vem enfrentando, o presidente da Coccamig afirma que a cafeicultura brasileira é a mais profissional e empresarial. “Nós fazemos qualidade altíssima em volume e escala. Há uma profissionalização muito forte das cooperativas nos últimos anos”, conta.


Marco garante que a profissionalização, aliada às melhores práticas de governança, fizeram com que as grandes cooperativas, que representam grande parte da produção do Brasil, ganhassem cada vez mais espaço no setor. “A Cocatrel, por exemplo, saltou para 2 milhões de sacas recebidas. Não é porque há mais produção de café, mas porque expandimos o nosso share, ganhamos espaço”, comemora. “Chegamos a movimentar 700 caminhões por dia por três meses. É um número gigantesco de café entrando e saindo, e não é só a Cocatrel, em outras cooperativas também. Houve uma mudança bastante forte no modelo de trabalhar de todo mundo. Hoje está mais ágil. A Cocatrel, especificamente, é toda automatizada. Tudo com QR code, rastreado. Estamos muito mais profissionais do que estávamos alguns anos atrás”.


Por Gabriela Kaneto

Fonte: CaféPoint


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