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Empresas investem em tecnologias para digitalizar processo de classificação do café


Os dias de especialistas reunidos em uma sala fechada para degustar café e classificar grãos quanto à cor, aroma e sabor podem estar contados. Uma empresa israelense desenvolveu um aparelho portátil capaz de escanear grãos para determinar a qualidade. A máquina, que funciona com inteligência artificial, precisará de um humano para inserir os parâmetros de qualidade primeiro, mas, depois disso, será capaz de classificar o café antes mesmo de ser torrado.


A empresa concluiu um programa piloto com a Carcafe, divisão colombiana da Volcafe, uma das maiores tradings de café do mundo. Uma transição para os computadores transformaria a maneira tradicional como o café é classificado por humanos.


Os avaliadores Q-Graders, da ICE Futures US, em Nova York, realizam a trabalhosa tarefa de determinar a qualidade e o valor dos grãos de café recebidos pela Bolsa. As tradings e torrefadoras também costumam ter seus próprios avaliadores de qualidade.


A degustação é um processo complicado, não muito diferente daquele realizado pelos sommeliers de vinho. Os Q-Graders pesam o café e o moem em uma xícara. Sentem o aroma do pó seco, anotando a fragrância. A água aquecida a 93 graus celsius é derramada sobre a borra e os avaliadores sentem o cheiro do café úmido.


Após 4 minutos, a crosta que se forma na parte superior da xícara é rompida e a borra e a espuma são removidas. Depois de esperar 15 minutos para o café esfriar, a bebida é sorvida em uma colher.


“É o humano que estabelece a parte sensorial. Você precisa ensinar ao robô o que fazer”, disse Oswaldo Aranha Neto, veterano da indústria do café que acaba de entrar na Demétria como membro do conselho. No mês passado, a Demétria fechou uma rodada de financiamento inicial de US$ 3 milhões, liderada pelo investidor latino-americano-israelense Celeritas e um grupo de investidores privados, incluindo o Mercantil Colpatria, o braço de investimento do Grupo Colpatria, da Colômbia.


“A degustação é inacessível para a grande maioria dos 12,5 milhões de pequenos agricultores que produzem 60% dos grãos de café pelo mundo e não podem determinar a qualidade de sua colheita e ter uma vida mais confortável”, escreveu a Demétria.


A solução da empresa consiste em uma plataforma de inteligência de dados baseada em IA que classifica cada grão de acordo com os padrões da roda de sabor internacional de café. O sistema usa sensores portáteis de infravermelho próximo (NIR) e inteligência artificial para analisar e fazer impressões digitais dos grãos de café verdes para marcadores bioquímicos.


A Volcafe, unidade da ED&F Man, está em processo de adoção e implantação da tecnologia, buscando “aumentar muito a eficiência e a eficácia do nosso processo de prospecção em nossos pontos de compra e em campo”, disse o gerente-geral, Sebastian Pinzón.


Aranha Neto espera que o setor adote o sistema antes de chegar até os produtores, já que as torrefadoras geralmente definem os parâmetros de qualidade que procuram. O CEO da Demétria, Felipe Ayerbe, acrescentou que a ferramenta também ajudará cafeicultores a produzir café com as características que os compradores desejam, possivelmente ajudando a conseguir preços melhores.


A tecnologia também pode ajudar a Bolsa, que teve dificuldades para classificar os grãos durante a pandemia devido às regras de distanciamento social. Também, segundo Aranha Neto, pode ajudar a resolver disputas de qualidade no mercado. Se for adotado pela Bolsa, as tradings também podem usar o aparelho para escanear o café antes de enviá-lo, reduzindo o risco dos grãos não passarem na classificação.


Fonte: Café Point.


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